
Atividade: Painel (Estudo de caso clínico)
“COMO AS COISAS SÃO”: ESTUDO DE CASO SOB A PERSPECTIVA DA
PSICOTERAPIA ANALÍTICA FUNCIONAL (FAP)
DOUGLAS FERNANDES DONARIS
José César
Pedro Bordini Faleiros
Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP)
O presente estudo foi conduzido com o embasamento teórico da Psicoterapia
Analítica Funcional (FAP) e teve como objetivo apresentar as intervenções sobre
comportamentos-problema de uma cliente de 36 anos que relatou ter dificuldades
para expressar sentimentos, relacionar-se intimamente com outras pessoas e
emitir comportamentos empáticos, e que apresentou também dificuldades para
discriminar como suas respostas contribuíam para a manutenção dos contextos em
que estava inserida. Ela verbalizou que foi exposta a diversos eventos
incontroláveis durante a vida, tais como abandono pela mãe aos três anos,
ingresso em um colégio interno, morte do pai, comportamentos de consumo de
álcool do marido e perda do mais recente parceiro extraconjugal. A cliente
relatou emitir comportamentos de fuga-esquiva e evitar entrar em contato com
qualquer situação que sinalizasse as possibilidades de retirada de estímulos
reforçadores ou apresentação de estímulos aversivos. Ela apresentou
comportamentos de autovigilância, isto é, observava a
emissão das próprias respostas a fim de esquivar-se de punições e seu responder
era governado por autorregras que produziam pouca exposição a novas
contingências de reforçamento., Segundo relato da cliente, o pai era a pessoa
com quem ela mais interagia, e ele não respondia com preocupação aos sentimentos
de mal-estar que ela expressava. Assim, não foi desenvolvido um repertório de
tatear eventos privados sem inibições ou
de tornar-se sensível, por modelação, aos sentimentos e necessidades dos outros
. Na relação terapêutica, a cliente começou a descrever com maior precisão suas
emoções e a ter tais respostas reforçadas pela atenção e reconhecimento
dispensados pelo psicoterapeuta. As reflexões, explicitações de contingências de
reforçamento e questionamentos promovidos pelo psicoterapeuta auxiliaram-na a
identificar quais consequências o seu agir produzia, a discriminar algumas
variáveis que controlavam seu responder e a criar novas autorregras que levavam
à exposição a situações até então não vivenciadas. A cliente conseguiu
generalizar esta forma de se relacionar com o psicoterapeuta para algumas de
suas relações fora do contexto clínico, o que resultou no estabelecimento de
interações sociais mais satisfatórias.
Palavras-chave: Psicoterapia Analítica Funcional (FAP); fuga-esquiva;
controle aversivo.