
Atividade: Comunicação Oral (Estudo de Caso Clínico)
IMPOSSIBILIDADE DE PENETRAÇÃO NA RELAÇÃO SEXUAL: UM ESTUDO
DE CASO EM PSICOTERAPIA SEXUAL SOB A PERSPECTIVA DA ANÁLISE DO
COMPORTAMENTO
JANAÍNA WILCHES UGOLINI DE MORAIS RIBEIRO
SAMPAIO
Terapia Sexual SP
Betina (24) era designer instrucional e morava
com Téo (26), seu namorado desde os 15 anos de idade. A cliente procurou
psicoterapia queixando-se de não conseguir ter penetração nas relações sexuais
com o namorado. Além disso, Betina relatou que não se masturbava e que nunca
havia atingido o orgasmo. Ao longo do processo psicoterapêutico
foi possível analisar que a cliente apresentava
déficit no repertório comportamental relacionado às questões da sexualidade. As
tentativas frustradas de penetração e a relação sexual focada nos genitais
contribuíram para que os vários estímulos relacionados a esse contexto se
tornassem aversivos. A cliente, diante da
possibilidade de estimulação genital e penetração, respondia de forma a ficar
“tensa” e, consequentemente, contraía os músculos da parede vaginal de maneira
involuntária. Durante toda a adolescência, Betina não foi exposta a
contingências que poderiam favorecer o desenvolvimento de repertório sexual,
tendo uma primeira experiência que lhe causou muita dor. Com a pouca
variabilidade comportamental do casal, as tentativas de penetração eram
realizadas sempre da mesma maneira e assim tornavam-se cada vez mais aversivas
para a cliente. Dessa forma, os objetivos da psicoterapia com Betina foram:
aumentar a discriminação em relação às sensações corporais; desenvolver
repertório de autonomia sexual (aprender comportamentos que produzam prazer de
forma individual e na relação com o outro); tornar a penetração possível e sem
dor. Os procedimento utilizados para atingir os objetivos foram: descrição e
análise de contingências; instrução verbal; introdução ao Kegel (contração e
relaxamento dos músculos da parede vaginal) e fading in da penetração. Ainda em
processo psicoterapêutico, Betina passou a discriminar sensações corporais
prazerosas; evitar situações sexuais com Téo que lhe eram aversivas, por meio de
comportamento verbal e não verbal. Ademais, aprendeu a se masturbar, conseguiu
atingir o orgasmo sozinha e com o namorado e está na fase final do procedimento
de fading in da penetração, já sendo capaz de inserir uma prótese peniana sem
dor.
Palavras-chave:
psicoterapia sexual; impossibilidade de penetração;
análise do comportamento.