
Atividade: Comunicação Oral
TREINO DE HABILIDADES SOCIAIS COMO INTERVENÇÃO NA PRÁTICA DO ACOMPANHANTE TERAPÊUTICO: UM CASO DE ESQUIZOFRENIA
DAYANNE TORQUATO LOURENÇO
Caroline Welzel Marques
Marcela Braz Ferraretto
Andrea Machado Vianna
IPq-HCFMUSP
Dentro do curso de formação teórico-prático de Acompanhante Terapêutico do
IPq-HCFMUSP, duas acompanhantes terapêuticas (AT’s) atuaram no atendimento de um
cliente com diagnóstico de esquizofrenia. O objetivo deste trabalho é apresentar
o Treino de Habilidades Sociais (THS) como intervenção na prática do
acompanhante terapêutico a partir da análise funcional da queixa de um cliente
com esquizofrenia e como as AT’s puderam conduzir e modificar déficits e
excessos comportamentais apresentados pelo cliente a partir das técnicas
adotadas. As AT’s identificaram dificuldades comportamentais do cliente, tais
como: déficit de comportamentos desejados para produzir reforçadores positivos
nas interações sociais como, por exemplo, dificuldade em manter contato visual
durante conversa, dificuldade em ouvir e se comportar sob controle do que o
outro diz, dificuldades para falar o que pensa, sente e deseja. Também foram
identificados excessos comportamentais tais como risadas em momentos
inapropriados como forma de esquiva de assuntos ou situações ansiognicas, além
de comportamentos governados por regras e autorregras. Os déficits e excessos
comportamentais fizeram com que o cliente permanecesse sob controle das mesmas
Contingências de Reforçamento (CR) por anos, impedindo que ele conquistasse
autonomia e ampliasse seu repertório social (conhecer pessoas e iniciar um
possível relacionamento), impossibilitando também a conclusão de seus estudos e
o início de uma atividade profissional. Após Análise Funcional, os procedimentos
psicoterapêuticos adotados pelas AT’s foram: Ensaios Comportamentais (Roleplay);
Modelação; Modelagem; Feedback verbal; Tarefa de casa; Solução de problemas e;
Relaxamento. Ao término das 57 sessões o cliente passou a andar sozinho de
ônibus para ir ao curso de informática e ao shopping; desenvolveu repertório de
pedir informações a estranhos; passou a iniciar conversas com as AT’s,; passou a
cogitar a possibilidade de não apenas procurar uma atividade profissional, mas
de considerar propostas que vão ao encontro da sua atual formação; passou também
a assistir a programas voltados a sua faixa etária. Foi possível observar
aquisição desses novos repertórios comportamentais e habilidades. Entretanto,
não foi possível realizar o follow- up para verificar se os ganhos
obtidos durante o tratamento foram mantidos.
Palavras-chave:
Acompanhamento Terapêutico; Esquizofrenia; Treino de
Habilidades Sociais; Análise Funcional.