
Atividade: Comunicação oral (Estudo de caso clínico)
TENTATIVA DE BLOQUEIO DE FUGA-ESQUIVA EM UMA CLIENTE COM
PROBLEMAS DE SAÚDE: UM ESTUDO DE CASO EM TERAPIA POR CONTINGÊNCIAS DE
REFORÇAMENTO
IZABEL CRISTINA DE OLIVEIRA
Fabiana Pinheiro Ramos
Universidade Federal do Espirito Santo
Comportamentos de fuga-esquiva são produto de uma história de estimulação
aversiva, sendo mantidos por reforçamento negativo. Analisou-se os
comportamentos de fuga-esquiva de uma cliente, aqui denominada Joice (22 anos,
solteira, estudante universitária), que frequentava há seis meses sessões de
psicoterapia segundo o modelo de Terapia por Contingências de Reforçamento (TCR)
em uma clínica-escola da mesma instituição em que estudava. A cliente relatou
como queixas iniciais: sentir-se sozinha, deprimida e ansiosa; desmaiar em
locais públicos superlotados; intenso sofrimento decorrente do término com o
ex-namorado e do difícil relacionamento que mantinha com os pais. Relatou também
que sofria de púrpura (doença autoimune), que aos nove anos de idade teve
leucemia e que, no início da terapia, monitorava a possível evolução de um novo
câncer. A análise funcional das contingências de reforçamento (CR) evidenciou
que Joice apresentava um repertório caracterizado pela emissão de diversos
comportamentos de fuga-esquiva indesejados relacionados às situações de sua
vida. Em relação a sua saúde, a cliente ou não ia às consultas médicas agendadas
ou ia a várias consultas com especialistas diferentes, mas não se engajava em
nenhum tratamento; fazia os exames solicitados e não ia buscá-los; não tomava
adequadamente as medicações prescritas; além de, na sessão de psicoterapia, não
responder quando questionada pela psicoterapeuta acerca do seu tratamento de
saúde. Nos relacionamentos pessoais mais íntimos, repertórios de fuga-esquiva
indesejados também estavam presentes: emitia uma série de verbalizações
autodepreciativas na tentativa de contracontrolar os comportamentos do
ex-namorado, familiares e amigos, quando uma provável consequência aversiva era
sinalizada (término do namoro, os amigos se afastarem); engajava-se em
relacionamentos amorosos com alta probabilidade de fracasso (relacionava-se com
homens comprometidos ou que moravam em outros Estados) e sujeitava-se às
vontades de seus parceiros, familiares e amigos, com o objetivo de não ficar só.
Além disso, a cliente não discriminava sua participação na manutenção das
contingências aversivas de sua vida. A psicoterapia teve como principal objetivo
o bloqueio dos comportamentos de fuga-esquiva da cliente na sessão, e a
ampliação do seu repertório para se relacionar com as pessoas. Para o alcance de
tais objetivos, a psicoterapeuta emitiu verbalizações que levassem a cliente a
discriminar quais eram seus comportamentos e que consequências (desejadas e
indesejadas) produziam, em particular os comportamentos de fuga-esquiva;
bloqueou a esquiva da cliente na sessão; além de desenvolver um novo repertório
interpessoal por meio de modelagem, programação de generalização, reforço
diferencial e instruções verbais. Foram realizadas 24 sessões; a cliente
continua em atendimento já evidenciando avanços como: não desmaiar mais, seguir
as prescrições médicas; além de progressos no relacionamento interpessoal,
sobretudo com seu pai.
Palavras-chave: Fuga-esquiva; bloqueio de esquiva, Terapia por
Contingências de Reforçamento.