
Atividade: Comunicação oral (Estudo de caso clínico)
PSICOTERAPIA ANALÍTICA FUNCIONAL (FAP) NO TRATAMENTO DE
VÍTIMA DE ABUSO SEXUAL: ESTUDO DE CASO CLÍNICO
GABRIELA DE OLIVEIRA LIMA
Claudia Kami Bastos Oshiro
Universidade de São Paulo (USP)
O presente estudo tem por objetivo descrever o atendimento psicoterapêutico
realizado com uma vítima de abuso sexual, população que frequentemente apresenta
dificuldades em manter e criar relações que sinalizem intimidade e
vulnerabilidade. Alice, 23 anos, procurou atendimento após receber diagnóstico
de Transtorno de Estresse Pós-traumático por sofrer, em anos anteriores, abuso
sexual por
parte do namorado. Alice tinha poucos contatos
sociais e mantinha relações distantes e pouco íntimas. O único relacionamento
amoroso consolidado que Alice teve foi com o namorado Caio. Esse relacionamento
durou dois anos e, somente um ano após o término da relação, Alice discriminou
que sofreu abuso sexual tanto na primeira como
nas relações sexuais seguintes que manteve no
namoro, já que eram
relações sem consentimento. As dificuldades
comportamentais de Alice se
concentravam principalmente nos relacionamentos
interpessoais. Ao relatar seus relacionamentos interpessoais Alice descreveu uma
ocorrência alta de
“sumiços” de amigos e términos de amizades por
falta de cuidado e
por falta de o outro perceber como ela se
sentia, assim como um afastamento por parte dela nessas condições. Esse
afastamento de Alice ocorria por
meio de brigas, discussões e principalmente pelo
seu desaparecimento e recusas de convites. Como consequência, tais pessoas
deixavam de procurar Alice, sem entender o que havia acontecido. Alguns
comportamentos clinicamente relevantes (CRB1) emitidos por Alice diante da
terapeuta chamaram a atenção: (1) relato de eventos ou descrição de necessidades
com pouca expressão facial ou restrito uso de autoclíticos, o que dificultava
para a terapeuta entender a função dos eventos/contingências/acontecimentos para
a cliente; (2) falas de Alice responsabilizando os outros e nunca ela mesma
pelas dificuldades de relacionamento interpessoal; (3) oposição e irritação com
relação às análises realizadas pela terapeuta e (4) vitimização constante. Esses
comportamentos de Alice dificultavam a aproximação e o contato com a terapeuta.
Assim como fora de sessão a cliente tendia a se esquivar de toda e qualquer
situação de vulnerabilidade e intimidade (O1), Alice também emitia
comportamentos com essa finalidade nas sessões de psicoterapia. Na primeira fase
de atendimentos foi aplicada a Terapia Analítica Comportamental (TAC) com foco
nos problemas externos. Essa fase foi composta por cinco sessões e, após a
estabilidade dos dados de CRB1 e CRB2 (comportamentos de melhora), foi
introduzida a segunda fase de intervenção terapêutica com uso da Psicoterapia
Analítica Funcional (FAP), com foco na relação terapêutica e nos problemas
funcionalmente parecidos com os externos que ocorriam dentro de sessão. Após a
introdução da FAP os comportamentos problema em sessão diminuíram e os
comportamentos de fazer pedidos de forma clara e assertiva e de assumir a
responsabilidade dos seus comportamentos aumentaram significativamente de
frequência.
Palavras-chave:
Psicoterapia Analítica Funcional; abuso sexual; Transtorno de Estresse
Pós-traumático; esquiva de intimidade.