
Atividade: Comunicação Oral (Estudo de caso clínico)
TRAVESSIA PARA A VIDA ADULTA: DESENVOLVIMENTO DE REPERTÓRIO DE ASSERTIVIDADE,
AUTOCONTROLE E COMPORTAMENTOS DE ESCOLHA - ESTUDO DE CASO EM TERAPIA POR
CONTINGÊNCIAS DE REFORÇAMENTO (TCR)
FERNANDA BORGES BESSA
Marília Zampieri
ITCR-Campinas
Ana (23) procurou psicoterapia devido a
problemas referentes à sua vida afetiva. A cliente namorava há aproximadamente
quatro anos e mantinha um relacionamento paralelo. Embora relatasse não querer
"mais conviver com isso", e sentir-se constantemente ansiosa quanto à
possibilidade de ser descoberta, dizia-se incapaz de escolher entre um dos dois
relacionamentos. Ana apresentava, também, problemas no relacionamento com seu
pai e em sua vida profissional. A análise da História de Contingências de
Reforçamento (HCR) da cliente permitiu identificar que seus pais eram pouco
afetivos com ela e emitiam frequentemente respostas de agressividade,
apresentando modelos de interação indesejados. No decorrer do processo
psicoterapêutico, algumas dificuldades da cliente foram identificadas pela
psicoterapeuta, tais como: baixa tolerância a frustração, déficit de
autocontrole, baixa discriminação das CR em operação, excesso de respostas de
agressividade e baixa sensibilidade ao outro. Alguns dos objetivos do processo
psicoterapêutico consistiram em: (a) levar Ana a identificar CR coercitivas em
operação nas suas relações presentes e na sua HCR; (b) auxiliá-la a discriminar
os estímulos reforçadores e aversivos produzidos em cada relacionamento; (c)
fortalecer repertório comportamental que produzisse estímulos reforçadores
positivos nas relações; (d) compreender como o padrão de relacionamentos em sua
HCR havia influenciado o seu comportamento nas relações no presente; (e)
desenvolver sensibilidade ao outro, levando-a a discriminar o efeito que seu
comportamento produzia sobre os outros e o impacto dele sobre as interações; (f)
desenvolver autocontrole e repertório de comunicação assertiva; (g) enfraquecer
o controle por regras e autorregras disfuncionais; (h) sensibilizá-la quanto às
CR em operação em sua relação com seu pai e (i) definir objetivos profissionais.
A fim de atingir estes objetivos, a psicoterapeuta utilizou procedimentos como a
descrição do padrão comportamental da cliente, emissão de SDs para que a cliente
observasse seu próprio comportamento e identificasse as CR em operação, análise
das consequências imediatas e atrasadas produzidas por seus comportamentos,
apresentação de modelos comportamentais alternativos e reforçamento de
comportamentos desejados. Aos poucos, Ana começou a discriminar as CR presentes
em sua vida, bem como as consequências imediatas e atrasadas de seus
comportamentos. Passou, também, a identificar o que ambas as relações ofereciam
a ela, e conseguiu escolher a qual relacionamento dar continuidade. A cliente
permaneceu no processo psicoterapêutico para que pudesse continuar desenvolvendo
repertório relacionado a estas e outras dificuldades identificadas.
Palavras-chave:
Terapia por Contingências de Reforçamento (TCR);
comportamento de escolha; agressividade;
impulsividade.