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Volume 49 - 04/03/11

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Qual a diferença entre influência e determinação, para o Behaviorismo Radical?
(Pergunta enviada por Bruno Kalil - estudante de Psicologia - Santo Antônio de Jesus - BA)

Quando Skinner fala em determinação, refere-se à adoção da perspectiva de uma relação causal inequívoca, conforme a citação a seguir: “Para termos uma ciência da psicologia, devemos adotar o postulado fundamental de que o comportamento é um dado sujeito a leis, que ele não é perturbado pelos atos caprichosos de qualquer agente livre – em outras palavras, que ele é completamente determinado” (Skinner, 1947/1999b, p.345). As leis a que Skinner remete são as componentes do modelo de seleção pelas conseqüências em que o comportamento é determinado pelas contingências de reforçamento. Ou seja: contingências determinam, no sentido que causam (e, conseqüentemente, explicam) comportamentos, e sobre isso não haveria exceção.


O Behaviorismo Radical é uma filosofia da ciência que sim, adota a posição determinista, mas esse determinismo é, diferentemente de outras abordagens em Psicologia, um determinismo probabilístico. Embora necessariamente as contingências determinem (sejam responsáveis, causem) os comportamentos, Skinner propõe que comportamentos variam e são selecionados em três níveis distintos: filogenético, ontogenético e cultural. Além disso, a ação de parâmetros específicos (por exemplo: tempo de privação, duração da apresentação de um antecedente, intensidade do estímulo reforçador ou aversivo etc.) modificam os efeitos dessas contingências. Logo, o comportamento, embora determinado pelas contingências, é influenciado pela soma das variáveis quem compõem tais contingências: aspectos passados e presentes relativos aos três níveis de variação e seleção e seus parâmetros específicos.


A palavra influência, portanto, refere-se às diferentes variáveis ou forças, atuais e passadas, que se somam e compõe as contingências que determinam os comportamentos. Como essas variáveis são inúmeras e modificam-se o tempo todo, fica impossível prever com precisão a ocorrência de um comportamento, pois isso implicaria controle absoluto de todas essas influências. Em decorrência disso, na prática é possível prever a probabilidade de um comportamento ocorrer em função do acesso (limitado) direto e indireto que sem tem às variáveis que compõem as contingências em operação.

 

Renata Cristina Gomes
CRP: 06/71718
Mestre em Psicologia Experimental pela USP

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Gostaria de saber sobre comportamentos que aparecem no sujeito, como o simples fato de rejeitar um prato de comida, dizendo que não gosta, quando em seu convívio social, as pessoas apresentam o contrário. Como explico isso?

O comportamento humano é resultado da interação do organismo com o ambiente e por isso, o que uma pessoa faz depende das contingências de reforçamento a que está exposta. Assim, para explicar os comportamentos de uma pessoa, quer aqueles que imitam os modelos que lhe são dados, quer aqueles que são diferentes dos modelos aos quais ela tem acesso em seu convívio social, é preciso compreender as contingências que estão por trás disso. As ações de um indivíduo são influenciadas pela filogênese (aspectos de carga genética da espécie), ontogênese (especificidades da história de vida) e aspectos da cultura. Primeiramente é preciso analisar que alimento é reforço primário e, como tal, ingeri-lo é próprio da evolução da espécie; por isso não há necessidade de aprendizagem operante para que ele seja reforçador. Entretanto, as pessoas não gostam de todos os tipos de comidas e para explicar as diferenças nas especificidades dos gostos individuais é preciso recorrer aos aspectos da história de vida e do contexto cultural de cada indivíduo. Assim, para entender a rejeição do prato de comida é preciso analisar as contingências em operação. A hipótese mais óbvia para explicar a recusa do alimento é que a pessoa está sendo reforçada por ser diferente do modelo presente em seu convívio. Ao recusar a comida que todos apreciam, um indivíduo chama a atenção das pessoas ao seu redor. Os comentários feitos pela comunidade a respeito da situação podem ter função de reforço e eles mantêm o comportamento do sujeito. Por exemplo, uma criança que recusa um doce que todos apreciam, escuta os pais comentando que têm um filho saudável que não come doce. Tal comentário pode ser um reforço social que a mantém recusando o doce. A insistência para comer: “Você deveria pelo menos experimentar o doce que a vovó fez... É a especialidade dela!” também pode manter o comportamento de recusar o doce. Ou ainda, a substituição do doce: “Junior nunca come doce. Ele prefere sorvete...”, também pode explicar o comportamento de negar-se a comer o doce. (Note que a função reforçadora do ambiente social provém da atenção que o comportamento da criança produz e não do conteúdo das frases ditas. Uma crítica pode ter função de atenção reforçadora positiva e não de consequência aversiva, por exemplo.) Assim, a insistência dos pais para que seu filho coma legumes (“Veja, todos em casa comemos legumes; só você nem sequer os experimenta.”) pode ter função de manter a recusa e não de motivar a aceitação dos legumes. Há procedimentos apropriados para enfraquecer o comportamento de recusar determinados alimentos e fortalecer a variabilidade de ingerir diferentes sabores. Outra hipótese é que a pessoa recusa o alimento, pois em sua história de vida teve uma experiência aversiva com o mesmo. Se ela passou mal após comer feijoada e experienciou reações corporais aversivas (enjôo, náuseas, e mal estar), por exemplo, poderá rejeitar o prato de comida na próxima vez dizendo que não gosta daquele prato. Pode-se ainda recorrer a aspectos culturais para explicar a rejeição. Apesar de ser brasileiro e conviver com pessoas que apreciam feijoada, por exemplo, uma pessoa pode estar sendo influenciada por alguns aspectos de outra cultura. Se o indivíduo tiver pais ou avós vindos de outro país, onde a feijoada não é conhecida e tiver costume de se alimentar diariamente com pratos típicos da outra cultura, terá preferências específicas, determinadas pelo ambiente familiar. Portanto, para explicar os comportamentos de uma pessoa que diferem dos modelos aos quais ela tem acesso em seu convívio social, é preciso descrever as variáveis que selecionaram o padrão comportamental apresentado.

Marisa Richartz
CRP 08/15002
Cursando Especialização em Terapia por Contingências de Reforçamento – ITCR – Campinas/SP Atua como Psicóloga Clínica em Curitiba-PR.

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VII JAC Salvador – Jornada de Análise do Comportamento
Local: Escola Bahiana de Medicina – Campus Cabula
Dias: 28, 29 e 30 de abril de 2011

Inscrições: Preencha a ficha de inscrição e envie para o e-mail: inscricoes@jacsalvador.com.br
Após envio da ficha de inscrição a comissão enviará os dados bancários para o depósito ser realizado em até três dias úteis.

 

X JAC da UFSCar - Jornada de Análise de Comportamento da Universidade Federal de São Carlos
Dias: 20, 21 e 22 e3 Maio de 2011
Inscrições:
www.jac.ufscar.br/home.htm

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Frase da Vez

“Dialogar é fundamental. Mas lembre-se que a função do diálogo é dupla: influenciar e se deixar influenciar. O diálogo não deve ser instrumento de opressão. O diálogo deve pressupor a alternativa de discordar. O diálogo não se encerra com a concordância, mas com a compreensão. Dialoga-se, principalmente com ações, não com palavras. As palavras servem para levar o outro a tomar consciência das ações e de suas respectivas funções; nunca para substituir as ações.”

(Hélio José Guilhardi)

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