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Volume 47 - 06/12/10

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Vocês poderiam conceituar Punição, Reforço Negativo e Extinção e explicar se existe relação entre eles? Gostaria de saber também, se existe divergência conceitual entre autores Behavioristas Radicais com relação aos temas questionados: Punição, Reforço Negativo e Extinção. (pergunta enviada por Vivian Galves)

Para responder a essa pergunta, primeiro precisamos compreender os conceitos para que então seja possível discutir relações entre eles. A punição, o reforço negativo e a extinção são princípios básicos do comportamento que foram, inicialmente, observados em pesquisas experimentais em laboratório. Cada um desses conceitos se refere a procedimentos distintos. A punição é um procedimento que produz a diminuição da freqüência da resposta punida. Ela pode ser de dois tipos (positiva ou negativa) e essa distinção depende da conseqüência para a resposta punida. Se há um acréscimo de estímulo caracterizamos como positiva, e diferentemente disso, se a conseqüência é a retirada de estímulo dizemos que é negativa. Assim, a apresentação de um estímulo aversivo após a emissão da resposta é uma punição positiva e a retirada de um reforçador positivo após a ação do indivíduo é uma punição negativa. Quando uma criança desobedece a mãe, podemos verificar exemplos de punição. Se ao desrespeitar uma regra, a criança for consequenciada com palmadas terá tido sua resposta punida positivamente. Entretanto se, ao invés disso, a criança receber como conseqüência um castigo no qual ficará sem acesso ao videogame, ela terá tido sua resposta punida negativamente . A extinção se assemelha a punição, pois seu efeito principal também é a redução da freqüência da resposta. Na extinção, porém, o princípio é diferente: uma resposta, anteriormente reforçada positivamente, deixa de ser seguida por essa conseqüência e passa a ser ignorada. Por exemplo, ao avistar uma colega na rua, uma pessoa acena e, se não obtém resposta, tenta novamente. Caso ela seja ignorada mais uma vez, deixa de tentar. Podemos dizer, então, que o comportamento de acenar sofreu extinção. No reforçamento negativo uma resposta é consequenciada com a retirada de um estímulo aversivo e tem assim, sua freqüência aumentada. Um indivíduo, ao estar em contato com vento no rosto em um dia gelado, fecha a janela do carro para evitar o frio, por exemplo. O reforço negativo (o qual pode ser identificado como evento aversivo) é o vento frio.
Apesar de a punição, a extinção e o reforço negativo serem princípios comportamentais diferentes, eles se relacionam. A punição e a extinção são procedimentos que tem em comum o enfraquecimento da resposta, no entanto, produzem efeitos colaterais (basicamente sentimentos) diferentes. Assim, enquanto a punição enfraquece a resposta indesejada rapidamente e gera sentimentos de medo e ansiedade, a extinção tem seu efeito de supressão da resposta em longo prazo e gera frustração. Ambos podem gerar raiva e comportamentos de contracontrole. Além disso, a punição e o reforçamento negativo podem estar relacionados. Uma pessoa, ao ter uma resposta punida experimentará com isso, uma condição aversiva. Ela poderá, diante disso, emitir uma resposta de fuga/ esquiva da situação que será reforçada negativamente pela retirada da condição aversiva. Assim, diante de uma punição, o indivíduo tem a possibilidade de emitir uma resposta que amenize a aversividade da punição ou a evite.
Há divergências relevantes sobre procedimentos e conceitos entre os analistas do comportamento ainda em debate. Para mencionarmos algumas: há autores (Skinner e Sidman) que excluem da definição da punição os efeitos comportamentais do procedimento (uma resposta produz um evento aversivo), enquanto outros (Azrin, Ferster, Catania) propõem que há necessidade de incluir o efeito do enfraquecimento da resposta punida (uma resposta produz um evento aversivo e ocorre enfraquecimento de tal resposta). Outro tema controverso é a distinção entre reforçamento positivo e negativo, a qual tem sido minimizada por alguns autores (Jack Michael, por exemplo), os quais sugerem que se fale em reforçamento simplesmente. Ainda mais, tem havido debates construtivos entre os analistas do comportamento sobre o efeito e a adequabilidade do uso da punição. Há convergência sobre a inadequação do uso de procedimentos punitivos ou coercitivos em geral. Questiona-se também se os efeitos da punição são duradouros (quanto a enfraquecer comportamentos indesejados). Sabe-se que punição não instala comportamentos desejados. Finalmente, reconhece-se os efeitos emocionais – em geral negativos – do uso de procedimentos punitivos. Usar ou não a punição e sob que condições usá-la é um ponto polêmico em debate. Essas são discussões que não se esgotaram e, pela complexidade dos temas, merecem ser apresentadas – se for o caso – em texto específico.

 

¹Note que os termos “positivo” e “negativo” são usados no sentido aritmético: positivo é igual a adição, soma acréscimo; negativo é igual a subtração, retirada. Não há, nos termos, implicação de valor.


Michelle Girade Pavarino

Marisa Richartz
CRP: 08/15002
Cursando Especialização em Terapia por Contingências de Reforçamento - ITCR - Campinas/SP

Atua como Psicóloga Clínica em Curitiba-PR.

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Com a hipótese de que um amigo pode proporcionar contingências de reforçamento positivo ao outro, que o leve a transgredir certas leis sociais, seria possível responder a uma dúvida de muitos pais que seria: um amigo pode “desencaminhar” o outro? (Lisângelo J. C. Fontôra/ Barbacena – MG).

O caso citado na pergunta leva em conta que no reforçamento positivo a resposta é seguida pela apresentação de um estímulo reforçador positivo contingente à emissão da resposta e o estímulo reforçador aumenta a probabilidade de ocorrência tanto da resposta emitida anteriormente, quanto de respostas da mesma classe daquela que o produziu, uma vez que essas respostas da mesma classe também são fortalecidas. Dessa forma, podemos dizer que um amigo pode sim “desencaminhar” o outro, mas mais importante do que apontar, dizer que um amigo é má companhia para seu filho, é entender o porquê isso está acontecendo. Por exemplo, um adolescente que está inserido em um grupo de amigos que transgride leis sociais será imediatamente reforçado por eles (será acolhido, receberá elogios, terá uma função no grupo, verá a chance de ser um líder) quando emitir algum comportamento dessa classe de “transgressão”, como agredir uma pessoa, participar de rachas, cometer um assalto, usar algum tipo de droga ilícita, entre outros. Porém, ter contato com esses amigos não é suficiente para o adolescente se tornar um transgressor, é preciso analisar as contingências que estão operando nesse caso. Considerando que comportamentos e sentimentos são frutos de contingências de reforçamento, é necessário entender que situações, eventos, companhias aumentam a probabilidade (antecedentes) de o adolescente emitir um comportamento inadequado (resposta) e o que está mantendo a emissão desse comportamento (conseqüente).
Em primeiro lugar é importante investigar as características da família, pois algumas questões podem influenciar a escolha do caminho percorrido pelo adolescente. Assim, podemos averiguar se a família é afetuosa, acolhedora, impositiva, permissiva, agressiva, entre outras características. Essas características podem nos mostrar que a família exerce um controle muito rígido sobre o adolescente que acabou desenvolvendo um repertório inassertivo e, conseqüentemente, não soube dizer “não” para os amigos que o estavam incentivando a cometer alguma transgressão, por exemplo. Ou, pelo contrário, uma família muito permissiva que nunca impôs limites para o adolescente, que sempre pode fazer tudo o que queria, sem nenhuma restrição, aumenta a probabilidade de o jovem se aventurar por caminhos perigosos, sem avaliar e nem se responsabilizar pelas consequências danosas de seus atos (em geral, as consequências aversivas de um ato delinquente ocorrem com atraso considerável, enquanto que as consequências reforçadoras positivas, tais como aprovação e admiração dos membros do grupo, seguem-se imediatamente à emissão do comportamento).
Além disso, identificar a função desse comportamento também é fundamental para que o psicoterapeuta possa trabalhar com o seu cliente e sua família. Muitas vezes a função pode ser de contracontrole do adolescente perante o controle rígido exercido pela sua família. Na relação entre pais e filhos o controle é inevitável, porém o seu excesso pode ser prejudicial fazendo com que o controlado (adolescente) busque reforços que só estão disponíveis em outros ambientes, contextos (contracontrole), muitas vezes os conseguindo de formas inadequadas. É preciso entender o porquê o ambiente inadequado oferecido pelos amigos está sendo mais “reforçador” do que o familiar.
A família é o modelo de convivência mais importante no qual a criança é inserida desde quando ela nasce. É em um ambiente de afeto e limites que se espera que a criança desenvolva sentimentos de autoestima, autoconfiança, empatia, responsabilidade, tolerância à frustração. Além disso, é com a família que a criança aprende valores morais e padrões adequados de conduta que darão condições a ela de lidar com as influências que irá receber dos companheiros ou de outros ambientes que terá contato. Seguir os amigos, deixar-se influenciar por eles ou resistir a possíveis influências negativas do grupo social é o resultado da interação entre a influência familiar e a influência do mundo externo à família. Assim, um “bom” menino pode ser influenciado por um “mau” menino; mas o inverso pode prevalecer: o “bom” menino pode influenciar o “mau” menino.

Ana Regina Lucato Sigolo

Ana Regina Lucato Sigolo
CRP: 06/96596
Cursando Especialização em Terapia por Contingências de Reforçamento – ITCR – Campinas/SP
Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Educação Especial da UFSCar

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Abertas as inscrições para o Curso On-Line de Especialização em Terapia Comportamental – Terapia por Contingências de Reforçamento
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Frase da Vez

PARA CASAIS... MAS VALE PARA RELACIONAMENTOS EM GERAL:
"Não é a função que os comportamentos do outro têm sobre você o que fundamentalmente importa. Fique focado nas funções que seus comportamentos têm sobre o outro. As mudanças comportamentais de seu companheiro serão, em grande parte, produto das mudanças dos seus próprios comportamentos. Comece por você."

(Hélio José Guilhardi)

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