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Volume 43 - 21/06/10

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A conscientização basta para produzir progressos no cliente?

Não! Ela é parte do processo psicoterapêutico, mas não o esgota, nem o resume a ela.

Em primeiro lugar, seria oportuno esclarecer o que se entende por conscientização. Uma maneira de defini-la seria afirmar que há conscientização quando o comportamento ocorre de forma sistemática, toda vez que as contingências das quais ele é função ocorrem. Assim, apresentado o SD, a resposta ocorre; apresentada uma conseqüência reforçadora positiva contingente à resposta, esta se mantém; apresentado o SA, a mesma resposta, que é emitida na presença do SD, deixa de ocorrer etc. Tal modo de se comportar de forma sistemática, sob controle das contingências de reforçamento em operação, não é necessariamente conhecido pela pessoa que assim se comporta, no sentido de que ela não é capaz de descrever as contingências de reforçamento sob as quais se comporta. O papel do psicoterapeuta, neste caso, poderia ser - se for importante - torná-la apta a descrever verbalmente as contingências de reforçamento em operação.

Outra maneira de definir consciência (com - ciência), mais comumente aceita, é a condição na qual a pessoa é capaz de descrever verbalmente as contingências de reforçamento em operação. Aparece na forma de expressões do tipo: "eu sei exatamente porque como excessivamente", "eu sei porque me mantenho nesta relação afetiva que me produz mais sofrimento do que satisfação", "eu sei a origem das minhas dificuldades afetivas atuais" etc.; tal conscientização, no entanto, não instrumentaliza para mudar comportamentos, nem sentimentos. Conhecer verbalmente as contingências de reforçamento em operação não basta para mudar comportamentos, nem sentimentos. O papel do psicoterapeuta, nesta condição, deveria ser o de tornar a pessoa capaz de alterar as contingências de reforçamento sob as quais se comporta hoje, de modo a alterar os comportamentos e sentimentos que lhe são aversivos.

Em resumo, o processo psicoterapêutico deve desenvolver, sem exclusão, os comportamentos de descrever as contingências de reforçamento em que a pessoa está funcionalmente envolvida e, além disso, emitir comportamentos para mudar as contingências de reforçamento em operação, de tal maneira a produzir mudanças socialmente significativas nos seus comportamentos e sentimentos aversivos, substituindo-os por comportamentos e sentimentos que sejam mantidos por conseqüências reforçadoras positivas amenas (e, se for impossível eliminar conseqüências aversivas, então que sejam eliminadas pelo menos as mais intensas, e que sejam emitidos apenas comportamentos de fuga-esquiva funcionais) e, finalmente, descrever as mudanças nas contingências de reforçamento das quais os novos comportamentos e sentimentos são função.

Em suma, numa linguagem mais cotidiana, não basta conhecer as causas presentes e passadas do sofrimento, mas é preciso saber mudar tais causas, de modo a eliminar (ou minimizar) o sofrimento.


Hélio José Guilhardi

Hélio José Guilhardi
CRP: 06/918
Mestre em Psicologia Experimental pela USP
Diretor do ITCR-Campinas

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Gostaria de saber como o terapeuta comportamental trabalharia na questão da ansiedade generalizada, vivenciada por um cliente. (pergunta enviada ao Jornal Sinal Verde por Sibeli Alves, estudante de psicologia, de Montes Claros - MG)

A importância das emoções e sentimentos na adaptação do Homem já é sabida e comprovada por inúmeras pesquisas e uma das mais adaptativas é a ansiedade. Por essa razão preocupar-se e ficar ansioso não são apenas reações normais, mas necessárias para a boa adaptação individual à sociedade e ao ambiente.

O conceito de ansiedade, em suas várias definições na literatura, guarda em comum as manifestações de excitação biológica (taquicardia, sudorese, sensação de sufocamento, dores), diminuição do desempenho comportamental, respostas de fuga e esquiva e descrições de sensações desagradáveis tais como angústia, insegurança, medo etc.

O termo ansiedade, apesar de ser usado pelo senso comum de forma genérica, referindo-se desde a estados internos, quanto aos eventos que produzem esses estados, é visto como fenômeno clínico quando se observa comprometimento no trabalho, escola ou atividades sociais do cliente; quando o grau de sofrimento descrito por este for significativo; e quando a freqüência de respostas de evitação (fugas/esquivas) tomarem grande parte do seu cotidiano.

Para alguns autores, a ansiedade é vista como um estado do corpo característico das situações em que o individuo não tem uma resposta de fuga-esquiva adequada para pôr fim à ocorrência de uma dada situação aversiva. Pessoas com transtorno de ansiedade estão constantemente apreensivas com algo terrível que irá acontecer, o que está relacionado ao que aprenderam em sua história de vida.

A característica que melhor possibilita distinguir a ansiedade generalizada daquela focada em dada situação ou objeto são as respostas de esquiva. O que diferencia um transtorno do outro é o tipo de situação considerada incomoda ou aversiva. Dessa maneira, pode-se diferenciar uma fobia simples (objetos, animais, situações específicas), fobia social (situações de críticas ou avaliações de outras pessoas), pânico (desconforto físico), entre outros do Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), de modo que os estímulos aversivos não demonstram especificidade; como o nome sugere tais estímulos são generalizados.

Para qualquer análise de um psicólogo comportamental, não apenas descrições de sintomas são levadas em conta, mas sim toda uma análise das contingências de reforçamento presentes na história de vida do individuo. Dessa maneira, com a análise funcional de cada caso, o que será trabalhado em terapia são as contingências de reforçamento de cada cliente fazendo com que o analista de comportamento possa descrever as variáveis que estão controlando tal comportamento, e por sua vez alterar tais contingências, e os padrões de comportamento, estados corporais da pessoa, reduzindo ou eliminando conseqüências aversivas e maximizando conseqüências reforçadoras positivas, apresentados pelo cliente.

As técnicas de enfrentamento são aplicadas pelo terapeuta de forma imaginária ou em exposição real aos estímulos ansiogênicos. Tais procedimentos de exposição e prevenção de respostas têm sido empregados ou não respeitando este contexto e análise funcional da terapia comportamental. A prioridade na análise comportamental é a análise funcional dos comportamentos, dando importância à seleção das conseqüências, ou seja, o que a ação do indivíduo produz no ambiente e como essa alteração ambiental produz mudança no indivíduo.

È importante lembrar que as técnicas comportamentais não devem ser usadas por qualquer profissional. É necessário se conhecer as teorias envolvidas na construção e desenvolvimento dessas técnicas com uma metodologia específica para trabalhar com elas.

Medicamentos antidepressivos e drogas para a ansiedade devem ser utilizados em combinação com psicoterapia, pois a medicação apenas não trata completamente o TAG e, em geral, é muito freqüente o retorno dos sintomas após a sua retirada.

De forma generalista algumas medidas de mudanças na forma de lidar com os estressores do dia-a-dia podem ser tomadas como sugestões para baixar a ansiedade, tais como reservar tempo para o lazer, diminuir as cobranças sobre si mesmo, reorganizar e priorizar compromissos, dormir bem, ter tempo para as refeições e fazer atividade física regularmente.

Michelle Girade Pavarino

Michelle Girade Pavarino
CRP: 06/64596
Especialista em Saúde Perinatal, Educação e Desenvolvimento do Bebê - UnB - Brasília/ DF
Mestre em Educação Especial - UFSCar - São Carlos/SP
Especialista em Terapia por Contingências de Reforçamento - ITCR - Campinas/SP

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Curso de Especialização em Terapia Comportamental - Terapia por Contingências de Reforçamento - TCR (credenciado pelo CFP)
início: agosto/2010

Informações: http://www.terapiaporcontingencias.com.br/cursos

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Frase da Vez

A emoção é mais própria do homem e essencial a ele do que a razão.

(Hélio José Guilhardi)

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