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Volume 38 - 25/01/10

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Gostaria de saber um pouco mais sobre estímulos discriminativos (pergunta enviada ao Jornal Sinal Verde pela estudante de psicologia Edmeire - Euclides da Cunha Pta - São Paulo)

Para compreendermos o conceito de Estímulo Discriminativo (SD) precisamos, antes, retomar alguns princípios sobre o comportamento, aplicáveis tanto a organismos humanos como a outros menos complexos. O comportamento, seja ele reflexo ou operante, envolve sempre uma relação entre eventos ambientais (estímulos) e ações do organismo (respostas). Tais eventos controlam o responder e, por essa razão, sempre precisamos levá-los em consideração ao analisarmos um comportamento. São, portanto, variáveis determinantes do comportamento, ainda que o organismo nem sempre responda discriminativamente à elas - por exemplo, uma contingência pode produzir sentimentos aversivos, denominados "tristeza", sem que a pessoa consiga relatar as variáveis que produziram esse sentimento.

Eventos ambientais podem ter funções de antecedentes ou de subseqüentes, conforme aparecem, respectivamente, antes ou depois da ocorrência da resposta. Analisaremos o papel dos antecedentes, para uma melhor compreensão do conceito de SD. No comportamento operante (aquele no qual não identificamos um estímulo eliciador que produza seguramente uma resposta filogeneticamente determinada) os eventos antecedentes têm o papel fundamental de determinar diante de quais estímulos, especificamente, uma resposta - selecionada por suas conseqüências (eventos subseqüentes) - produzirá reforçadores. Isso possibilita que o organismo economize energia diante de situações nas quais seu comportamento não seria reforçado.

O SD é uma das possíveis funções dos estímulos antecedentes. Em sua presença, a emissão de uma resposta será reforçada. Mais do que isso, o SD tem o poder de evocar respostas que foram instaladas na história de contingências do organismo. Ele, em conjunto com a conseqüência, nos permite compreender porque um indivíduo se comporta de determinada maneira em determinadas condições.

Para ilustrar um evento com função de SD, suponhamos a presença de um semáforo em um cruzamento de vias. Diante da luz verde, se o motorista avançar com o carro, seu comportamento será reforçado (o motorista continuará seu trajeto em segurança). Na presença da luz amarela e, especialmente, da luz vermelha, se o motorista avançar terá grande probabilidade de ser punido (de forma natural, caso se envolva em um acidente, ou de modo arbitrário, caso o guarda de trânsito o autue). Assim, a luz vermelha se torna um SD para o comportamento do motorista.

O conceito de SD pode ser estudado por meio das referências a seguir:

Catania, A. C. (1999). Aprendizagem: Comportamento, linguagem e cognição. Porto Alegre: Artes Médicas.

Sério, T. M. A. P. Andery, M. A., Gioia, P. S. & Micheletto, N. (2002). Controle de estímulos e comportamento operante: Uma introdução. São Paulo: EDUC.

Michael, J. (1993). Concepts and principles of behavior Analysis. Kalamazoo: Society for the Advancement of Behavior Analysis.


Ana Carolina Guerios Felício

Ana Carolina Guerios Felício
CRP: 06/78752
Especialista em Terapia por Contingências de Reforçamento - ITCR - Campinas
Mestranda em Psicologia Experimental - PUC-SP

Jornal - Sinal Verde
Eu gostaria de saber o que mantém determinados comportamentos que não trazem recompensas visíveis, como por exemplo, torcer fanaticamente por um time que perde com frequência as partidas? (Pergunta enviada ao Jornal Sinal Verde pela estudante de psicologia Ana - Salvador - BA)

Ao falar em "comportamentos que não trazem recompensas visíveis", estamos supondo que algo os mantêm, apenas não conseguimos ainda identificar o que é. Esse é justamente um dos objetivos da Terapia por Contingências de Reforçamento: identificar as contingências mantenedoras de determinado comportamento. Sendo assim, para que se possa compreender melhor o "torcer fanaticamente por um time que perde com frequência", dois níveis de análise devem ser considerados: 1) contingências de reforçamento que descrevem comportamento individual; 2) contingências de reforçamento culturais (ou metacontingências).

Analisando primeiramente a história de contingências individuais do torcedor, é possível que exista um reforço social presente, ou seja, torcer por um time foi ensinado por outras pessoas e é valorizado por estas. Isto explicaria o fato de famílias inteiras torcerem por um determinado time. Além disso, se o time perde com freqüência, quer dizer que algumas vezes ele GANHA! Considerando que o fato do time ganhar seja reforço para o comportamento de torcer, este está sendo reforçado intermitentemente - apenas algumas respostas são reforçadas. Comportamentos reforçados de forma intermitente mostram-se estáveis e com grande resistência à extinção. O torcedor não sabe quando o time ganhará a próxima partida; pode ser no próximo jogo ou daqui a dez jogos... A extinção de comportamentos submetidos a esse esquema de reforçamento é extremamente difícil. Um outro ponto merece análise. Não se deve supor que apenas o resultado dos jogos é a consequência que mantém o comportamento de torcer pelo time. Há outros reforçadores - em geral, sociais generalizados - que têm papel importante. Assim, por exemplo, o conceito de lealdade pode ser um valor fundamental (um reforçador) para a pessoa e permanecer fiel ao seu time "na vitória ou na derrota sempre, sempre..." mantém o comportamento de torcer... Acrescente-se, ainda, que há muito reforço social, na forma de ironia, brincadeiras etc. - ou seja, diferentes manifestações de atenção - para o torcedor, após nova derrota do seu time.

No que diz respeito às contingências culturais, é importante esclarecer, em princípio, o que seria uma metacontingência: unidade de análise que abarca o nível cultural e que é formada a partir de contingências individuais. No caso deste torcedor, assim como seu comportamento está sendo reforçado, o comportamento de torcer de vários outros também está, e, desta forma, a prática cultural se perpetua. Uma prática cultural caracteriza-se por: comportamentos adquiridos durante a vida de cada indivíduo, em que atitudes do outro desempenham papel de ação e de ambiente comportamental para a ação de outras pessoas e, assim, há passagem de comportamentos entre gerações. É importante ressaltar que a prática cultural produz conseqüências para cada um dos participantes individualmente. É quando devemos olhar para história de contingências de cada um. O que mantém o comportamento de determinado torcedor pode ser diferente do que mantém o de outro; famílias diferentes se utilizam de reforços diferentes e torcem por times diferentes. Toda essa variação é o que mantém uma cultura viva e o que possibilita o surgimento de novas práticas culturais.


Roseana Maria de Almeida Lucenti

Luciana Leão Moreira
CRP: 04/24579
Especialista em Terapia por Contingências de Reforçamento
Atua em consultório particular em Belo Horizonte-MG

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Enquanto houver pelo menos uma pessoa ensinando alguém a ter consideração pelo outro, haverá esperança para a humanidade.

(Hélio José Guilhardi, 12/2009)

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