Diálogo com a comunidade - Jornal Sinal Verde

um canal de comunicação com a comunidade

Volume 37 - 28/11/09

Edições Anteriores



IMPRIMIR


Perguntas dos leitores:

Tire suas dúvidas. Mande-nos suas sua pergunta!
Este é um espaço para vc fazer perguntas, esclarecer suas dúvidas e curiosidades. Mande sua pergunta para nós!

Envie sua pergunta:clique aqui

Jornal - Sinal Verde
Para a Análise do Comportamento qual a definição da memória? E qual a sua relação com a aprendizagem da Leitura e da Escrita? Pergunta enviada ao Jornal Sinal Verde pela estudante de psicologia Renata - Pato Branco PR)

Da perspectiva da Análise do Comportamento a memória não é considerada um local de armazenamento de informações dentro do sistema nervoso, tal como abordagens mentalistas a conceituam. Skinner (1990) rejeita explicações do comportamento baseadas em um sistema nervoso conceitual e não empírico, que geralmente se configuram como analogias com sistemas computacionais. Para ele, os fenômenos que acontecem dentro do organismo, tais como pensamentos, sentimentos e lembranças, não têm status causal sobre o comportamento, sendo tratados como classes de comportamentos, que também devem ser explicadas. A explicação da origem do comportamento, para Skinner (1990), reside nas interrelações do organismo como um todo com as contingências de reforçamento do ambiente a que se expôs e vem se expondo.

Ao analisar o comportamento como interações entre o organismo e o ambiente têm-se a memória como um comportamento que inclui a apresentação de um estímulo, um intervalo de tempo (ou atraso), a oportunidade de uma resposta discriminativa sob controle de um estímulo ausente na ocasião imediata da resposta e a conseqüência reforçadora. Nesse sentido, faz-se mais pertinente falar em lembrar, como conjunto de respostas controladas por estímulos que estão no passado, do que falar em memória, uma vez que memória nos remete à noção de lugar de armazenamento de informações e não a uma ação ou atividade do organismo.

Assim, lembrar não significa uma busca pelo estímulo que teria sido armazenado na memória (Skinner, 1974); antes, diz respeito ao aumento da probabilidade de se comportar de forma semelhante ao passado, frente aos mesmos estímulos, de modo que não há possibilidade de lembrar um evento ou item desse evento na ausência de estímulos discriminativos, ou item do estímulo discriminativo, relativos ao evento a ser lembrado.

Desta forma, o lembrar se caracteriza como um comportamento controlado pelos estímulos ambientais, assim como qualquer outro comportamento. Como comportamento, lembrar é então entendido como derivado das relações entre o organismo e o ambiente, e não de relações organismo-organismo, que originam a idéia de que a mente, o pensamento ou cérebro determinam as ações (Skinner, 1974). A diferença entre lembrar e outros comportamentos operantes não está na sua origem ou na determinação, uma vez que ambos são selecionados e mantidos pelas relações estabelecidas entre o organismo e o ambiente, ou seja, são produtos de contingências de reforçamento, mas sim no atraso que há entre as contingências que instalaram o padrão de comportamento operante e as respostas atuais diante dos estímulos (ou itens dos estímulos) discriminativos.

A leitura e a escrita são consideradas como tipos específicos de comportamento verbal, que mantêm relações particulares com o ambiente. No caso da leitura, temos como estímulo discriminativo uma palavra escrita; como resposta, a emissão de um comportamento verbal vocal (público ou encoberto) e como conseqüência, reforços sociais generalizados ou mesmo os reforçadores naturais envolvidos na leitura. Já no caso da escrita, a resposta apresentada pelo sujeito é um conjunto de letras grafadas que se dá na ocasião de apresentação de um estímulo discriminativo verbal (que pode ser escrito, no caso da cópia, ou vocal - a pronúncia de uma palavra falada), o qual é mantido por reforçadores sociais generalizados, reforçadores naturais da atividade.

A aprendizagem da leitura e da escrita envolve ainda a inclusão de mais uma classe de estímulos que se relaciona aos estímulos discriminativos, textuais ou vocais, e que favorece a compreensão e o sentido, para o aprendiz, daquilo que está sendo lido ou escrito. São estímulos condicionais (figuras e/ou objetos concretos, por exemplo) que, uma vez emparelhados aos estímulos discriminativos e sistematicamente associados aos reforços produzidos pelos comportamentos verbais que evocam, passam a compor uma única classe de estímulos, tornando a leitura e a escrita uma rede de relações entre dois ou mais estímulos, bem como entre esses estímulos e as respostas do organismo.

Assim, a leitura e escrita envolvem respostas verbais apresentadas diante de estímulos discriminativos cujas relações com as respostas foram estabelecidas no passado. No presente, esses estímulos discriminativos são ocasião para respostas verbais específicas, conforme foi aprendido no passado.

Cabe, assim, analisar que, ao realizar uma atividade de leitura ou escrita, o sujeito não busca dentro de si mesmo ou na sua memória, a referência e o significado das palavras. O que chamamos de significado é estabelecido a partir de uma história de relação entre conjuntos de estímulos de naturezas diferentes, que são emparelhados formando uma classe, diante dos quais apenas um tipo de resposta específica foi reforçada. Sendo assim, diante desses estímulos discriminativos no presente, respostas específicas são evocadas, no caso, as respostas de leitura e escrita.


Hélio José Guilhardi

Raquel Martins Sartori
CRP: 06/78460
Especialista em Psicologia Clínica pelo ITCR
Mestre no PPG de Educação Especial pela UFSCar
Docente do Centro Universitário de Votuporanga - Unifev
Psicóloga Clínica

Jornal - Sinal Verde
Gostaria de saber como trabalhar com a Terapia Comportamental, junto a crianças com dificuldade de aprendizagem (7 a 11 anos), isso é possível? (pergunta enviada ao Jornal Sinal Verde pelo psicólogo Fabiano - Rancharia - SP)

A chamada "dificuldade de aprendizagem" que usualmente é atribuída ao aluno é, na grande maioria das vezes, produto das contingências de reforçamento envolvidas no ensinar. A postura fundamental dos profissionais que trabalham com a Terapia por Contingências de Reforçamento (TCR) é adotar a atividade da parcimônia que, essencialmente, propõe que sejam investigados em primeiro lugar os determinantes mais simples dentre as possíveis causas das dificuldades sob estudo. Assim, antes de propor que as dificuldades da criança são determinadas por fatores neurofisiológicos, há que se investigar o papel das contingências de reforçamento ambientais. Cada aluno tem sua própria história de contingências e chega à escola com diferentes habilidades; logo, é natural que também aprenda de forma distinta. Entretanto, as pessoas envolvidas no processo de aprendizagem normalmente não discriminam ou não conseguem se comportar em função (por questões práticas como, por exemplo, o número excessivo de alunos em sala de aula) dessas idiossincrasias. O ensino acaba sendo padronizado, embora os alunos apresentem repertórios de aprendizagem diversificados.

As contingências envolvidas no ensinar são freqüentemente arranjadas pelo professor ou pelos pais quando, por exemplo, auxiliam nas tarefas em casa e, certamente, incluem as interações entre alunos, professores, pais e demais alunos, onde todos se influenciam reciprocamente. Portanto, de acordo com a visão da TCR, o trabalho integrado entre terapeuta, pais e professores é essencial quando a queixa envolve dificuldades acadêmicas por parte das crianças.

O ITCR conta com um departamento de Autismo e Psicopedagogia, composto por uma equipe de profissionais especializada em desenvolvimento atípico e dificuldades psicopedagógicas. Para os chamados casos de "dificuldades de aprendizagem", após avaliação inicial (envolvendo criança, pais e professores) em que são investigadas as habilidades acadêmicas existentes e as não apresentadas pelo cliente e quais contingências contribuiriam para a produção e a manutenção desse repertório, o programa proposto inclui, em linhas gerais: atendimento individual na clínica; orientação para os pais e para a escola (por "escola" entendam-se todos os profissionais da escola que se relacionem diretamente com as contingências envolvidas no ensino dessa criança); desenvolvimento de programas de organização de hábitos de estudo; observação e registro de comportamentos; procedimentos de generalização de repertório de estudo independente com esvanecimento da ajuda; procedimentos de instalação de comportamentos academicamente adequados e respectivos pré-requisitos e enfraquecimento de comportamentos incompatíveis com a aprendizagem; procedimentos para atualizar repertórios acadêmicos deficitários de acordo com padrões de sala de aula.

É importante ressaltar que o programa é individualizado, de acordo com as especificidades de cada caso, e que são feitas avaliações periódicas, durante e após as intervenções, para verificar os resultados dos procedimentos aplicados e introduzir alterações, se necessário. Há uma preocupação também por parte do terapeuta em garantir a generalização e a consistência dos resultados obtidos, para além da sala de atendimento e depois de finalizado o processo terapêutico.

Durante a aplicação do programa proposto, o ideal é que pais, professores e terapeutas mantenham aberto um canal de comunicação constante e sintam-se parceiros na tarefa de alterar as contingências inicialmente em operação para outras que favoreçam o desenvolvimento da criança. Tais contingências devem ser preferencialmente reforçadoras positivas e amenas, de maneira a produzir no aluno, além de competência acadêmica, sentimentos agradáveis em relação à aprendizagem: aprender por prazer.


Roseana Maria de Almeida Lucenti

Renata Cristina Gomes
CRP: 06/71718
Mestrado em Psicologia Experimental pela USP

Jornal - Sinal Verde
Frase da Vez

Seja inato ou adquirido, o comportamento é selecionado pelas consequências.

(B. F. Skinner, 1983)

Jornal - Sinal Verde
PARA PENSAR

Esse é o nome da nova seção do site ITCR - Terapia por Contingencias de Reforçamento.Clique aqui para maiores informações

Jornal - Sinal Verde
Turma 2010

Curso de Especialização em Terapia Comportamental
Terapia por Contingências de Reforçamento (TCR)
Inscrições: http://www.terapiaporcontingencias.com.br/news10.php

Jornal - Sinal Verde
Encontros para Pais de Crianças em Idade Escolar

Informações no site: www.terapiaporcontingencias.com.br

Jornal - Sinal Verde

Quaisquer perguntas, dúvidas, sugestões, críticas favor preencher os campos abaixo:

Nome
Cidade
Estado
Telefone com DDD
Celular com DDD
E-mail
Identificação Pessoal

Psicologo

Estudante de psicologia

Outros

Comentários e sugestões
Você autoriza a divulgação de seu nome neste site, junto com a reposta a sua pergunta? SIMNÃO



Jornal - Sinal Verde
Instituto de Terapia por Contingências de Reforçamento

Rua Josefina Sarmento, 395, Cambuí - Campinas - SP
Fones: (19) 3294-1960/ 3294-8544
Clique aqui para entrar em contato

Página Inicial | Edições Anteriores | Voltar | Subir | Fechar

Jornal - Sinal Verde
Copyright © terapiaporcontingencias.com.br | Todos os direitos reservados.