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Volume 35 - 18/10/09

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Como a análise do comportamento vê o excesso de agressividade em crianças? Apenas como uma baixa tolerância a frustração ? Há tratamento focado em tal problema? (pergunta enviada ao Jornal Sinal Verde pela estudante de psicologia Bruna - São Paulo - SP)

É comum que sentimentos de frustração se expressem através de comportamentos agressivos. Parece ser essa a relação que a leitora faz nas duas questões acima. No entanto, não se pode dizer que, quando frustradas, apenas as crianças com baixa tolerância a tal condição aversiva reagirão de maneira agressiva. Se a condição aversiva for muito intensa ou muito frequente, há grande probabilidade de emissão de respostas agressivas, mesmo que a criança já tenha desenvolvido uma razoável tolerância a frustrações.

Por outro lado, as crianças com uma tolerância muito baixa à frustração são aquelas que, em linguagem do cotidiano, chamaríamos de "mimadas". Essas crianças certamente têm maior probabilidade de reagir agressivamente quando contrariadas, mesmo que a frustração seja razoável ou inevitável.

Se há um excesso de emissão de comportamentos agressivos, o que se pode concluir com certeza é que tal criança está precisando de ajuda e os responsáveis por ela precisam ser orientados a se perguntar:

  • - a criança desenvolveu repertório para emitir, naquela situação, outro tipo de comportamento, mais adequado?
  • - ela recebeu modelos mais adequados de como reagir às situações que lhe são aversivas?
  • - quais as consequências que seus comportamentos agressivos produzem? Tais comportamentos podem, por exemplo, permitir à criança se esquivar de críticas por parte dos colegas, caso em que a agressividade estará sendo mantida ou desenvolvida por reforçamento negativo. Dependendo do ambiente em que a criança vive, comportamentos agressivos podem levá-la a posições de liderança dentro do grupo, com sentimentos de poder, reconhecimento etc.; neste caso, a agressividade estaria sendo mantida através de reforçamento positivo.

Na análise das contingências que estão levando a criança a se comportar de maneira considerada inadequada é preciso atenção para considerar todas as variáveis possíveis, para evitar intervenções excessivamente simplistas. Por exemplo: Pedrinho reage com comportamentos de birra diante da recusa dos pais em usar o carro para irem comprar um sorvete na padaria que fica a duas quadras de casa. Excesso de "mimo"? Baixíssima tolerância à frustração? Poderia ser essa uma análise. No entanto, se fossem analisadas todas as contingências em operação na vidinha familiar de Pedrinho, ficaria evidente que tais reações de birra, aparentemente tão pouco condizentes com a situação citada, estão sendo positivamente reforçadas com a atenção que Pedrinho recebe dos pais nesses momentos, mesmo que tal atenção envolva "colocar Pedrinho para pensar"; "conversar com Pedrinho sobre o que Papai e Mamãe gostariam que ele fizesse"; "dizer a Pedrinho que Papai e Mamãe ficam tristes quando ele age assim" etc. Provavelmente nem é preciso dizer que Pedrinho sente falta, sente-se privado da atenção dos pais. Ele ainda não discrimina isso claramente, nem sabe expressá-lo com palavras. Mas ele sente... E sente algo que dói! Com a birra, Papai e Mamãe vêm "conversar" ou "pôr pra pensar". Mas a dor (que engraçado!), some!

Os pais podem estar profissionalmente sobrecarregados ou podem se dedicar a múltiplas atividades (há o horário da atividade física; há o curso de língua estrangeira; há o grupo de amigos que se reúne semanalmente; há os cursos de atualização profissional e há tantas outras possibilidades, todas elas possíveis, prazerosas, construtivas até). Mas há o momento... E há o filho... E não dá para discutir que a prioridade é o momento do filho. Se trabalhamos diariamente das oito da manhã às seis da tarde e temos filhos pequenos, às seis e trinta a prioridade é o momento do filho, além dos cuidadores e das atividades adequados que têm que ser garantidos no período em que não estamos disponíveis como pais.


Noreen Campbell Aguirre

Noreen Campbell Aguirre
CRP: 06/74855
Especialista em Terapia por Contingências de Reforçamento - ITCR Campinas
Diretora do ITCR-Campinas

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Psicopatologia e Análise do Comportamento

Inicialmente, cabe ressaltar que o modelo psicológico se diferencia do modelo médico principalmente no que diz respeito à forma de tratamento. O modelo médico de diagnóstico busca, então, enquadrar as pessoas que apresentam certos tipos de comportamentos (chamados por eles de pacientes) em classificações com base em critérios diagnósticos específicos. Esses critérios são encontrados nas publicações da Associação Psiquiátrica Americana (APA) e da Organização Mundial de Saúde (OMS). Esses sistemas classificatórios são, portanto, no máximo uma descrição de topografias de respostas e de freqüências com as quais elas se apresentam na vida da pessoa.

O behaviorismo radical, através do estudo de modelos experimentais, tem tentado entender as variáveis de controle de vários problemas humanos. Desta forma, seus estudos buscam descrever causas, efeitos de variáveis e possíveis formas de modificar esses problemas. Sua metodologia prioriza o estudo do sujeito único, em suas relações comportamentais estabelecidas com o ambiente no qual está inserido. Mais importante do que a descrição das respostas que trazem os indivíduos aos consultórios (por exemplo, as "patologias"), é o conhecimento da função que essas respostas apresentam nesse ambiente. O modelo é darwinista, baseia-se em seleção das respostas (ditas "comportamentos") por conseqüências e, portanto, não discute as manifestações comportamentais em termos de normal e patológico.

Skinner afirma (1974): "por que os organismos agem como agem?" Este autor propõe via análises funcionais de comportamentos, fruto de cada relação sujeito-ambiente, que os comportamentos tidos ou ditos socialmente como "psicopatológicos" fossem o objeto de estudo do cientista do comportamento, a fim de se buscar ordem entre os eventos, e, desta forma, chegar aos determinantes do comportamento, propondo uma explicação funcional (e não mecanicista) de "por que" os sujeitos agem como agem. E o que interessa é modificar a forma pela qual a relação entre indivíduo e seu ambiente se estabeleceu.

Portanto, o comportamento é o nosso objeto de estudo e os analistas do comportamento tentam descrever dentro de quais determinadas circunstâncias (antecedentes) o indivíduo responde daquela forma (resposta) e quais conseqüências seguem-se a essa resposta de forma a mantê-la. Então, quaisquer mudanças nas circunstâncias, na resposta ou nas conseqüências modificarão toda a relação e, portanto, o comportamento.


Tatiana Chagas Correia

Tatiana Lance Duarte
CRP:06/64105
Especialista em Terapia por Contingência de Reforçamento - ITCR Campinas

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Nova Programação no ITCR

Cine ITCR - Exibição e Análise de filmes
Próximo filme: Quando Um Homem Ama Uma Mulher (com Meg Ryan e Andy Garcia) - Dia 03/11/09 às 19hs
Inscrições no site: http://www.terapiaporcontingencias.com.br/cine-itcr.php

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Projeto CONVIVER

Informações:www.terapiaporcontingencias.com.br

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Intervenção Comportamental com Indivíduos Autistas

Informações:www.terapiaporcontingencias.com.br

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PARA PENSAR

Esse é o nome da nova seção do site ITCR - Terapia por Contingencias de Reforçamento.Clique aqui para maiores informações

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A essência da vida é a sua própria continuidade. Basta! Ela não inclui nenhum código que determine a felicidade do homem. A felicidade - utopia sob suspeita - é criação da sociedade humana. Como tal, cabe a cada ser humano zelar e produzir seu bem e o da comunidade à qual pertence.

(Hélio José Guilhardi)

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Turma 2010

Curso de Especialização em Terapia Comportamental
Terapia por Contingências de Reforçamento (TCR)
Inscrições: http://www.terapiaporcontingencias.com.br/news10.php

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Encontros para Pais de Crianças em Idade Escolar

Informações no site: www.terapiaporcontingencias.com.br

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