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Volume 32 - 10/07/09

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Gostaria de saber como definir qual a melhor técnica para cada caso. Gostaria de uma indicação de livros sobre técnicas objetivas. (pergunta enviada ao Jornal Sinal Verde pela psicóloga Maria Aparecida Lopes Leon)

A Terapia por Contingências de Reforçamento (TCR) trabalha, primordialmente, com os comportamentos e sentimentos humanos, utilizando a análise das contingências de reforçamento para identificar como tais comportamentos e sentimentos foram instalados e mantidos no repertório de cada indivíduo.

O início do processo terapêutico, dentro desta abordagem, se dá com a definição, em termos comportamentais, dos problemas apresentados pelo cliente.

Diferente de outras áreas e abordagens psicológicas, a terapia comportamental não trabalha a partir de rótulos ou termos genéricos, como hiperatividade, autismo, depressão etc., e sim com termos mais precisos, que dão ênfase nos comportamentos que serão alvo de análise e modificação.

Na prática clínica, isso significa que, quando um cliente procura por um terapeuta comportamental, o profissional que o atender iniciará o trabalho identificando os déficits e excessos comportamentais presentes no repertório da pessoa, independente de qualquer diagnóstico que o cliente possuir. No momento em que estiverem definidos os comportamentos-problema, o terapeuta passará a analisar as contingências de reforçamento que os produziram e os mantêm, destacando a função que esses comportamentos possuem e não sua topografia, para então poder planejar o procedimento que irá implementar com o cliente, visando a alterar as contingências em operação responsáveis pela manutenção dos déficits ou excessos comportamentais identificados.

Os procedimentos que serão adotados podem ser definidos como um conjunto de ações e técnicas comportamentais que o terapeuta programa e aplica, dentro e fora do contexto terapêutico, visando à modificação comportamental do seu cliente. Tais procedimentos são individuais, ou seja, frente a cada problema, de cada cliente específico, um conjunto de ações e técnicas será definido. Nesse sentido, não há uma técnica específica para um conjunto de casos semelhantes, somente a análise de cada caso poderá indicar qual o melhor procedimento a ser implementado. Por exemplo: comportamentos típicos de uma fobia (que poderia ser tratada com dessensibilização sistemática) podem ter como função se esquivar de relacionamentos sociais (análise funcional). Como tal, é importante desenvolver repertório social, afetivo etc. e não dessensibilizar a pessoa das condições que evocam a fobia.

Na Terapia por Contingências de Reforçamento, várias técnicas comportamentais podem ser utilizadas para produzir, de forma gradual, as mudanças comportamentais desejadas. Algumas dessas técnicas são: modelagem, fading out, fading in, consequências de reforçamento positivas amenas e consequências naturais. Deve-se evitar o uso de consequências arbitrárias e de consequências de reforçamento coercitivas, mas, caso sejam necessárias, essas técnicas também podem ser usadas, desde que por um curto período de tempo e de forma amena.

O terapeuta deve ser hábil para aplicar os procedimentos na interação com o cliente e não somente descrever e esperar que as consequências ocorram espontaneamente no ambiente externo à terapia. O contexto terapêutico faz parte do ambiente do cliente, logo as mudanças comportamentais devem ser evocadas na própria sessão, sob controle dos estímulos especificamente programados. O comportamento do cliente deve apresentar as mudanças programadas a partir do manejo das contingências de reforçamento, e tais mudanças devem ser generalizadas, ou seja, devem passar a ocorrer nos ambientes nos quais o cliente convive, sob controle de estímulos naturais, funcionalmente semelhantes ou sob controle de relações de equivalência. Tal generalização deve ser programada como parte do processo terapêutico.

Diante do exposto, a preocupação do terapeuta não deve ser com livros que descrevem técnicas, mas deve estar voltada para um conhecimento mais profundo dos princípios de análise do comportamento. Como sugestões de textos introdutórios posso citar: Martin, G., e Pear, J. (1999) Behavior Modification: What It Is and How to Do It. Eighth Edition. Upper Saddle River, Nj: Pearson Prentice Hall. (Modificação do Comportamento: o que é e como fazê-la. A tradução, no prelo, pode ser obtida por solicitação para a tradutora Noreen C. de Aguirre, através do e-mail noreen@terapiaporcontingencias.com.br) e Catania, A. C. (1999) Aprendizagem: comportamento, linguagem e cognição. Editora Artmed, Porto Alegre. Um texto mais avançado, também indispensável, é Skinner, B. F. (1998) Ciência e Comportamento Humano. Editora Martins Fontes, São Paulo.


Iara Araujo Miorim

Iara Araujo Miorim
CRP: 06/86701

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Como o analista do comportamento trabalha de forma bem prática quando o cliente procura atendimento como suporte para lidar com dificuldade de perder peso-obesidade? (pergunta enviada ao Jornal Sinal Verde pela psicóloga Gilcimara Souza Pinto - Cascavel - PR)

A obesidade é atualmente um dos problemas de saúde pública mais graves do mundo. Sabe-se hoje que muitos fatores de risco, em diferentes combinações, atuam para as pessoas: fatores ambientais (disponibilidades de alimentos ricos em gordura, níveis decrescentes de atividades físicas); fatores genéticos (baixa taxa metabólica em repouso, elevado número de células adiposas) e fatores comportamentais (padrões alimentares inadequados, esquiva de exercícios físicos).

Além dos problemas de saúde que muitas vezes acompanham a obesidade (diabetes, pressão alta etc.), muitas vezes ela está associada a problemas emocionais, como estresse e depressão. Com a disseminação de valores sociais que idealizam o corpo magro, o sobrepeso acaba sendo um fator de sofrimento para muitas pessoas, inclusive pela discriminação social.

A TCR lida com problemas de obesidade levando em consideração não somente a monitoria do peso, mas também a modelagem de comportamentos necessários para produzir mudanças de peso, levando-se em conta, sempre, a história de vida de cada cliente. Atualmente, apesar de muitas pesquisas na área, não se pode explicar o comportamento de alimentar-se em excesso, seja em relação à quantidade e à qualidade, ou distribuição no tempo, sem descrever a história pessoal em relação ao alimento e sem lidar com os fatores comportamentais e afetivos presentes.

Sabe-se que tratamentos muito estruturados e diretivos muitas vezes falham na manutenção do peso perdido, pois impõem uma série de regras que causam quebra da rotina do cliente. Esses procedimentos, muitas vezes, são aplicados uniformemente e ignoram as diferenças individuais, bem como a variação dos hábitos de cada um.

A TCR utiliza técnicas para mudança comportamental baseadas no treino de autocontrole, auxiliando o cliente a desenvolver estratégias adequadas às suas necessidades. Promove, assim, um tratamento individualizado no qual o foco é ajudar o indivíduo a notar as conseqüências de suas ações e a alterar as condições de controle de estímulo que aumentam a probabilidade de comer excessivamente. Melhores resultados são conseguidos, em termos de manutenção do peso, quando o acompanhamento é feito, de forma sistemática, por longos períodos de tempo.

O acompanhamento terapêutico também se faz necessário nos casos de procedimentos cirúrgicos, como diminuição do estômago, em casos de obesidade mórbida. Isso porque, a mudança da estrutura do corpo, não leva, necessariamente, à mudança nos hábitos alimentares e na relação que o cliente estabelece com a comida. Percepções do alimento como única fonte de gratificação estão relacionadas ao fracasso dessas cirurgias.


Thais Saglietti Meira Barros

Thais Saglietti Meira Barros
CRP: 06/79307
Especialista em Terapia por Contingências de Reforçamento - ITCR Campinas

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Projeto CONVIVER

Informações:www.terapiaporcontingencias.com.br

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Intervenção Comportamental com Indivíduos Autistas

Informações:www.terapiaporcontingencias.com.br

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PARA PENSAR

Esse é o nome da nova seção do site ITCR - Terapia por Contingencias de Reforçamento.Clique aqui para maiores informações

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Na vida, não há certo; não há errado. Há o possível. O desenvolvimento pessoal amplia o possível.

(Hélio J. Guilhardi, junho/2009)

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Encontros para Pais de Crianças em Idade Escolar

Informações no site: www.terapiaporcontingencias.com.br

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