Diálogo com a comunidade - Jornal Sinal Verde

um canal de comunicação com a comunidade

Volume 29 - 20/04/09

Edições Anteriores



IMPRIMIR


Perguntas dos leitores:

Tire suas dúvidas. Mande-nos suas sua pergunta!
Este é um espaço para vc fazer perguntas, esclarecer suas dúvidas e curiosidades. Mande sua pergunta para nós!

Envie sua pergunta:clique aqui

Jornal - Sinal Verde
Em que idade o filho mais precisa da presença da mãe?
(pergunta enviada ao Jornal Sinal Verde pela advogada Gabriela - São Paulo - SP)

Partindo dos conceitos de que comportamento é a relação entre um organismo e o ambiente em que ele está inserido e de que o organismo deve aprender a se relacionar com tal ambiente, através de repertório comportamental adquirido ao longo de sua vida, podemos afirmar que desde a concepção o filho precisará da presença da mãe, sendo ela um dos primeiros indivíduos com quem a criança terá contato após o nascimento.

Desde muito cedo o individuo está exposto aos diferentes estímulos associados à suas necessidades fisiológicas e emocionais, experimenta relações com o ambiente e aprende com elas. Por exemplo, quando o bebê chora devido ao incômodo causado pela fome e tem sua necessidade atendida, aprenderá como conseguir atenção da mãe e alimento. Assim sendo, nos primeiros momentos de vida, a presença da mãe é necessária para nutrição e outros cuidados essenciais exigidos pelo bebê, dos quais fazem parte carinho, proteção e conforto. Já na primeira infância, a presença da mãe é importante para o estabelecimento de hábitos e para o desenvolvimento da moralidade da criança.

O papel da mãe ao longo do desenvolvimento de seu filho modifica-se, uma vez que, nas diversas fases de sua vida, ele necessitará de diferentes repertórios que serão aprendidos com a mãe. A ela cabe passar valores, estabelecer limites e apontar regras que regem as relações sociais. Esses repertórios podem ser adquiridos pelo filho, ora por modelos dados pela mãe, ora por instruções de como se comportar, porém eles serão selecionados e mantidos quando o filho experimentar, ele mesmo, as conseqüências do seu comportamento e tornar-se capaz de avaliar os ganhos que ele terá a partir das suas escolhas.

Com o crescimento do filho, a presença da mãe para as necessidades práticas do dia-a-dia vai se tornando menos importante. No entanto, as necessidades afetivas estarão sempre presentes. Ao passar a conviver em novos ambientes, diferentes da sua própria casa, o filho experimenta novas relações e o papel da mãe poderá ser o de ajudá-lo a observar e orientá-lo para que ele tenha sucesso nessas relações ou que aprenda a lidar com seus insucessos, através do desenvolvimento de novos repertórios.

Considerando o que foi afirmado acima, devemos levar em conta a realidade atual em que a mãe, que tem atividades fora de casa, talvez não possa estar junto a seu filho tanto quanto queira e não tenha disposição e/ou tempo para se dedicar a ele da forma que ela acredita que ele precisa. A resposta nesses casos é que a mãe poderá fazer com que sua 'presença' seja vivida pelo filho, ainda que ela não esteja presente fisicamente. Uma boa relação mãe-filho é construída a partir do conjunto das interações entre eles e uma vez que ela seja estabelecida, será mantida, ainda que não estejam juntos, pelas conseqüências do comportamento de ambos. Demonstrar afeto (uma ligação durante o expediente de trabalho para saber como seu filho esta é uma mostra de que a mãe se preocupa com ele, o quer bem e pode produzir sentimentos de auto-estima); estabelecer limites (fazer uma combinação com seu filho sobre o que é permitido ou não na sua ausência); oferecer estímulos reforçadores para comportamentos adequados do filho (elogios são sinais de reconhecimento da capacidade de seu filho e podem produzir sentimentos de auto-confiança); ensinar a expressar seus sentimentos (a expressão dos sentimentos pelo filho para uma mãe que se interessa por eles, faz com o filho se sinta valorizado e permite que a mãe-ouvinte possa responder de forma efetiva àquilo que ele precisa), são exemplos de comportamentos a serem apresentados pela mãe. Um filho que se sinta amado, cuidado, valorizado e respeitado pela mãe, pode se tornar mais autônomo na sua ausência, enquanto sabe que pode contar com ela, solicitando sua presença quando for necessário. Desta forma sua mãe pode se fazer presente, ainda que à distância.

Para que isso aconteça, a mãe deve ser sensível às necessidades do filho, pois assim ela será capaz de identificá-las mais facilmente, e de responder de forma adequada a tais necessidades. Torna-se, então, importante um exercício consistente de observação pela mãe em cada uma das fases do desenvolvimento de seu filho para que ela possa buscar o repertório comportamental adequado às diferentes situações.

Enfim, é possível afirmar que não há uma idade específica em que o filho precise mais da presença da mãe e que, embora o papel da mãe possa se modificar, sua presença sempre terá importante função para o filho, independente da idade.


César Augusto Curvello de Mendonça

César Augusto Curvello de Mendonça
CRP:06/78608
Especialista em Terapia por Contingências de Reforçamento - ITCR - Campinas

Jornal - Sinal Verde
Em um tratamento de uma criança portadora de TDAH, além do medicamento, qual a importância do tratamento terapêutico e qual a metodologia utilizada pelo analista do comportamento?
(pergunta enviada pelo estudante de psicologia André - Salvador - BA)

O Transtorno de Atenção e Hiperatividade (usualmente identificado pela sigla TDA/H) é, tradicionalmente, conceituado como um transtorno no qual ocorrem sintomas de desatenção (dificuldade de se concentrar em qualquer tipo de atividade), impulsividade (reações instantâneas perante estímulos) e/ou hiperatividade (comportamentos constantes de mobilidade e agitação motora) em crianças na vida escolar. A ciência conseguiu definir que o TDA/H é um problema multideterminado, ou seja, há uma predisposição genética (componente biológico) para o desenvolvimento do TDA/H, além das influências ambientais e culturais, as quais também têm grande relevância no seu desenvolvimento ou mesmo na sua manutenção. Reconhecer tais determinantes do TDA/H é importante para o melhor entendimento da complexidade desses casos e, conseqüentemente, proporcionar adequada orientação, elaboração da intervenção terapêutica e avaliação da necessidade do suporte educacional e emocional para a criança e suas famílias. Sem dúvida, em muitos casos o uso de medicação é necessário e fundamental para o tratamento; no entanto, a Análise do Comportamento prioriza as variáveis ambientais como condições necessárias para a instalação e manutenção de qualquer comportamento. Convém destacar que as relações familiares podem produzir padrões comportamentais que se assemelham àqueles observados no TDA/H, sem que aja necessariamente nenhuma base neurofisiológica subjacente ao quadro observado. Assim, crianças criadas sem limites; ou aquelas que recebem pouca atenção sistemática dos pais; ou que são cuidadas por babás ou passam tempo exagerado em escolas maternais, creches etc. (mesmo que devidamente qualificadas); ou que convivem num ambiente familiar tenso, em que os pais se relacionam de forma pouco afetiva ou agressiva etc.; podem apresentar problemas de concentração, hiperatividade, impulsividade, déficits de aprendizagem, agressividade etc. Ou seja, antes de concordar que determinada criança é portadora de TDA/H, é necessária uma avaliação prévia pelo médico e pelo psicólogo, que permita um diagnóstico diferencial. O analista do comportamento deve intervir a partir da compreensão da história de contingências da vida escolar e familiar da criança, bem como fazer uso de ações educacionais junto aos professores e à sala de aula. Uma estratégia bastante eficiente é montar junto à família e à escola um programa de ensino e aprendizagem individualizado para a criança portadora de TDA/H, tentando, assim, garantir que a criança possa relacionar o que se aprende na escola com sua própria vida. Cabe ressaltar que o professor e o cuidador são modelos diretos de observação de conduta e, desta forma, precisam de orientações de profissionais especializados para contribuir no processo e tratamento de uma criança com TDA/H. Os analistas do comportamento podem também fazer uso do programa de instalação de repertórios comportamentais básicos, chamado ABA (Applied Behavior Analysis) em crianças com desenvolvimento atípico ou com problemas de inserção no seu contexto de vida cotidiana, programa esse que inclui orientação para pais e profissionais. O programa consiste em um estudo científico do comportamento para aumentar, diminuir, criar, eliminar ou melhorar comportamentos. As técnicas comportamentais nele propostas têm resultados positivos em diversas áreas, incluindo a educação de crianças com atrasos no desenvolvimento. É relevante observar que o tratamento do TDA/H não se baseia em um conjunto de regras e passos a serem seguidos. É um tratamento específico que deve ser construído conforme vai transcorrendo. Os ensinos de novas habilidades e o objetivo de eliminar comportamentos indesejáveis servem como metas a serem alcançadas. Uma lista dessas metas é definida pelo profissional, juntamente com a família, com base nas habilidades iniciais da criança e após uma avaliação. O envolvimento dos pais e de todas as pessoas que participam da vida da criança é fundamental durante todo o processo. Vale a pena ressaltar que o tratamento proposto pela psicoterapia comportamental, sempre que necessário com sintonia médica, produz importantes benefícios. Uma palavra final: não se lida com uma criança com diagnóstico apresentado tratando-a isoladamente como se fosse um problema que lhe é intrínseco. É um quadro abrangente que envolve família e escola. Incluem familiares e educadores no processo psicoterapêutico de forma ativa e direta, portanto, não é uma questão de preferência, mas de prioridade.


Tatiana Chagas Correia

Tatiana Lance Duarte
CRP:06/64105
Especialista em Terapia por Contingência de Reforçamento - ITCR Campinas

Jornal - Sinal Verde
Atenção! Alteração de Data do Evento
I Encontro de Atualização em Terapia por Contingências de Reforçamento (TCR) - 27/junho/2009

Informações e inscrições:www.terapiaporcontingencias.com.br

Jornal - Sinal Verde
Projeto CONVIVER

Informações:www.terapiaporcontingencias.com.br

Jornal - Sinal Verde
Intervenção Comportamental com Indivíduos Autistas

Informações:www.terapiaporcontingencias.com.br

Jornal - Sinal Verde
PARA PENSAR

Esse é o nome da nova seção do site ITCR - Terapia por Contingencias de Reforçamento.Clique aqui para maiores informações

Jornal - Sinal Verde

Uma pequena parte do universo está debaixo da pele o homem. Seria tolice negar a existência do mund privado, mas também é tolice afirmar que, por ser privado, ele tem natureza diferente da do mundo exterior.

(B. F. Skinner, 1971, Beyond Freedom and Dignity)

Jornal - Sinal Verde
Encontros para Pais de Crianças em Idade Escolar

Informações no site: www.terapiaporcontingencias.com.br

Jornal - Sinal Verde
Nova Programação no ITCR:

Cine ITCR - Exibição e Análise de filmes
Próximo filme: Meninos Não Choram - Dia 05/05/09 às 19hs
Inscrições no site: http://www.terapiaporcontingencias.com.br/cine-itcr.php

Jornal - Sinal Verde

Quaisquer perguntas, dúvidas, sugestões, críticas favor preencher os campos abaixo:

Nome
Cidade
Estado
Telefone com DDD
Celular com DDD
E-mail
Identificação Pessoal

Psicologo

Estudante de psicologia

Outros

Comentários e sugestões
Você autoriza a divulgação de seu nome neste site, junto com a reposta a sua pergunta? SIMNÃO



Jornal - Sinal Verde
Instituto de Terapia por Contingências de Reforçamento

Rua Josefina Sarmento, 395, Cambuí - Campinas - SP
Fones: (19) 3294-1960/ 3294-8544
Clique aqui para entrar em contato

Página Inicial | Edições Anteriores | Voltar | Subir | Fechar

Jornal - Sinal Verde
Copyright © terapiaporcontingencias.com.br | Todos os direitos reservados.