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Volume 18 - 04/08/08

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Jornal - Sinal Verde
Como a terapia lida, trata de cuidadores que atuam com pacientes com Mal de Parkinson? Quais as medidas a tomar nesses casos, orientações e reforço para fortalecer essa relação entre cuidador e cuidado?
(Pergunta enviada para o Jornal Sinal Verde)

Inicialmente, gostaria de sugerir uma alteração dos termos "cuidador" e "cuidado", e substituí-los por "familiar" e "portador da doença", pois "cuidado" pode sugerir uma noção de submissão ou menor valor, o que é inaceitável.

A Terapia por Contingências de Reforçamento considera de grande relevância a orientação a "familiares". Utiliza tal procedimento, com o objetivo de esclarecer e informá-los a respeito das dificuldades apresentadas pelo "portador da doença", visando aumentar a adesão e o comprometimento da família com o tratamento.

A relação íntima com um paciente com Parkinson pode ser uma condição imposta, em determinado momento na vida de uma pessoa, a qual não se sente preparada para tamanho desafio. Neste caso, o psicoterapeuta com formação em TCR pode auxiliar os "familiares", verificando se possuem repertório adequado para interagir com o "portador da doença". O psicoterapeuta deve verificar se os "familiares" possuem conhecimento sobre a patologia, sua evolução, gravidade, tratamentos, enfim, qual o nível de informação a respeito da doença, e em qual estágio o "portador da doença" se encontra. Porém, só esse conhecimento não vai determinar o sucesso da relação. Necessitamos saber se o "familiar" está preparado emocionalmente para lidar com uma pessoa com distúrbio neurológico progressivo e crônico. Estes aspectos são de fundamental importância para o psicoterapeuta traçar alguns objetivos, a fim de orientar a relação entre "familiar e "portador da doença".

Sabemos que tratamentos médicos atuais, aliviam os sintomas, controlam a evolução da doença e permitem manter os doentes em atividades, podendo ter uma boa qualidade de vida. Entretanto, uma das principais dúvidas apresentadas pelos portadores de Parkinson é quanto ao futuro, pois vão tomando contato com as limitações de maneira gradativa. As conseqüências advindas dessas limitações acabam trazendo para o "portador da doença" sentimentos de baixa auto-estima. O papel do psicoterapeuta é ensinar o "familiar" a observar os comportamentos do "portador da doença" e não deixá-lo se esquivar de atuar em situações em que apresente repertório para tal. Os pacientes devem continuar trabalhando se tiverem habilidade intelectual para isso, mesmo que apresentem certa lentidão motora. Por exemplo, uma pessoa portadora de Parkinson que necessite escrever na realização do seu trabalho e sinta-se constrangida em tremer na frente de outras pessoas, poderá utilizar o computador e digitar, minimizando o problema e adaptando-se a uma nova condição. O "familiar" deve ficar sob controle do comportamento final, o conseguir fazer, e não da topografia da resposta, ou seja, a forma ou a lentidão como a tarefa foi realizada.

Outro exemplo, o "portador da doença" que se sente envergonhado de tomar café com os amigos, com receio de derrubar o café, poderá ser orientado a colocar menos café na xícara, ou tomar o seu cafezinho numa xícara maior, o que diminuiria a probabilidade de derrubá-lo. O importante é continuar saindo para tomar café com os amigos. Todos os comportamentos emitidos pelo "portador da doença" devem ser elogiados e valorizados pelos "familiares". Comportando-se dessa forma, os "familiares" irão ampliar a probabilidade dos comportamentos adequados aumentarem em freqüência. O "portador da doença" entrará em contato com novas conseqüências, que, se forem bem sucedidas, poderão fazê-lo sentir-se mais autoconfiante, melhorando seus sentimentos de baixa auto-estima.

A mesma orientação que acabamos de descrever em relação aos "familiares", os psicoterapeutas devem disponibilizar ao "portador da doença", pois quanto melhor informado estiver sobre a doença e como se comportar diante das limitações impostas por ela, maior será a adesão ao tratamento. Como conseqüência, teremos uma maior colaboração do "portador da doença", a qual produzirá uma relação mais adequada e harmoniosa com o "familiar".

Concluindo, essas são apenas algumas orientações gerais que o psicoterapeuta, especialista em TCR, pode fornecer para fortalecer a relação "familiar" e "portador da doença". Orientações mais precisas podem ser propostas a partir de particularidades específicas de cada caso.


Conceição Aparecida dos Santos Covre Batista

Conceição Aparecida dos Santos Covre Batista
CRP: 06/ 8170
Especialista em Psicologia Clínica - PUCCamp
Especialista em Terapia por Contingências de Reforçamento

Jornal - Sinal Verde
Como é a intervenção da análise comportamental no contexto comunitário?
(Pergunta enviado para o Jornal Sinal Verde)

A preocupação dos estudiosos da Análise do Comportamento com a aplicação das descobertas produzidas em laboratório na resolução de problemas práticos é antiga. Na década de 40, em Walden II, Skinner desenvolveu a história de uma comunidade utópica onde os problemas da vida diária - educar filhos, manter moradias limpas e organizadas, distribuir ofícios entre as pessoas, produzir bens de consumo, reduzir sentimentos de inveja, entre outros - eram pensados à luz da engenharia do comportamento. Na década de 50, o conhecimento sobre o comportamento passou a ser aplicado nos primeiros experimentos com psicóticos e pessoas com desenvolvimento atípico. Os locais onde estes experimentos foram realizados eram, muitas vezes, pequenas comunidades: hospitais psiquiátricos, instituições de ensino etc. Tais experimentos mostraram que todas as pessoas, independentemente de seu desenvolvimento intelectual, são sensíveis às alterações nas contingências de reforçamento.

Dessa forma, o psicólogo que atua em alguma comunidade deve ser um estudioso do comportamento humano. Todas as variáveis ambientais (pelos menos as mais relevantes, uma vez que é praticamente impossível conhecer todas) da comunidade devem ser conhecidas e a necessidade de mudá-las deve ser avaliada pelo profissional, pois qualquer alteração nas mesmas influenciará o comportamento das pessoas que fazem parte dessa comunidade. Na teoria, é um trabalho bem simples: basta ter domínio sobre a relação entre o manejo das variáveis e as prováveis alterações no comportamento dos indivíduos. Na prática, o trabalho é árduo, pois muitas vezes o profissional depende da colaboração de outras pessoas na aplicação dos procedimentos que julga necessários, o que nem sempre ocorre.

Mas não vamos desanimar, pois há muito trabalho a ser feito. Problemas semelhantes aos enfrentados pela comunidade de Walden II, mas de dimensões que afetam a população mundial - superpopulação, uso da água e outros recursos naturais, descarte do lixo, superaquecimento, consumismo, engarrafamento no trânsito etc. - poderiam ser solucionados com procedimentos formulados a partir da análise experimental do comportamento. É preciso desenvolver uma tecnologia comportamental para alterar as contingências em operação em nossa comunidade, o que produzirá mudanças em nossos comportamentos.

Como motivação aos analistas do comportamento que pretendem atuar no contexto comunitário, uma frase a refletir: "A escolha é clara: ou não fazemos nada e permitimos que um futuro miserável e provavelmente catastrófico nos alcance, ou usamos nosso conhecimento sobre o comportamento humano para criar um ambiente social no qual poderemos viver vidas produtivas e criativas, e fazemos isso, sem pôr em risco as chances de que aqueles que se seguirão a nós serão capazes de fazer o mesmo" (Skinner, 1978, p.66).


Ana Carolina Guerios Felício

Ana Carolina Guerios Felício
CRP: 06/78752
Especialista em Terapia por Contingências de Reforçamento - ITCR - Campinas

Eliana Leite Bastos

Eliana Leite Bastos
CRP: 06/79762
Especialista em Terapia por Contingências de Reforçamento - ITCR - Campinas

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PARA PENSAR

Esse é o nome da nova seção do site ITCR - Terapia por Contingencias de Reforçamento.Clique aqui para maiores informações

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"O autoconhecimento tem origem social. Somente quando o mundo privado de uma pessoa se torna importante para outros, é que se faz importante para ela"

(Skinner, 1974, About Behaviorism, p. 31)

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Informações no site: www.terapiaporcontingencias.com.br

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